O Dia que Percebi que Bike Elétrica Chega Mais Rápido que Moto no Trânsito de SP

Diário de um Entregador — parte 2

Foi numa tarde qualquer, dessas de terça-feira que o trânsito de São Paulo decide que ninguém vai a lugar nenhum. Eu tava parado numa avenida movimentada, moto entre dois carros, motor ligado, sem sair do lugar fazia uns bons minutos. Aquele tipo de trânsito que trava tanto que até andar de moto, que normalmente é minha vantagem, não adianta muita coisa.

Foi aí que reparei numa mulher numa bike elétrica passando tranquila pela faixa da direita, praticamente andando de leve, sem esforço, e sumindo lá na frente enquanto eu ainda tava preso no mesmo quarteirão.

Confesso que bateu uma indignação básica no primeiro momento — “poxa, e eu aqui gastando gasolina parado”. Mas depois bateu foi reflexão mesmo. Porque não foi sorte dela, foi só o formato do trânsito da cidade favorecendo quem tá num veículo menor, mais ágil, capaz de passar por espaço que moto e carro não passam mais.

Isso me fez prestar mais atenção nas semanas seguintes. E o padrão se repetiu bastante: hora de pico, trânsito parado, e quem tá de bike (elétrica ou convencional), patinete ou até andando de skate consegue se mover enquanto o resto da cidade motorizada fica travada.

Não significa que eu vou largar a moto amanhã — meu trabalho depende de distância e carga que uma bike não aguenta do jeito que preciso. Mas entendi de vez por que tanta gente, principalmente quem trabalha perto ou mora perto do trabalho, tá trocando o carro ou até a moto por uma bike elétrica pro dia a dia.

Trânsito de São Paulo não vai diminuir tão cedo. Mas o jeito como cada um lida com ele, isso sim, tá mudando rápido.