As Ciclofaixas de São Paulo Mudaram Quem Anda na Rua (Eu Vejo Isso Todo Dia)
Diário de um Entregador — parte 3
Rodando de moto todo dia pela cidade, eu passo direto do lado das ciclofaixas — e reparei numa coisa: elas não pararam de crescer, e o povo que anda nelas também não.
Não é só entregador de bike, que é a imagem mais óbvia que vem na cabeça quando alguém fala em ciclofaixa. É muito mais variado do que isso. É gente saindo do escritório de bike pra casa, ainda de roupa social, mochila nas costas. É estudante indo pra faculdade. É senhor de bike elétrica indo com calma pro trabalho. É moça voltando da academia. A ciclofaixa virou passagem pra um monte de gente que antes ia de ônibus, metrô lotado ou até de carro mesmo.
E faz sentido o motivo. Trânsito de São Paulo é osso, hora de pico é osso, e a ciclofaixa é um dos poucos lugares da cidade onde o fluxo realmente anda. Enquanto eu de moto fico preso no meio dos carros, quem tá na ciclofaixa segue o próprio ritmo, sem depender de semáforo de carro nem de buzina de motorista impaciente.
Reparo também que o delivery mudou junto com isso. Muito entregador de bike (elétrica principalmente) hoje faz trajeto que antes só fazia sentido de moto — porque a ciclofaixa dá um caminho mais direto, mais seguro e mais rápido em trecho curto e médio dentro da cidade. Eu mesmo, de moto, às vezes vejo um entregador de bike elétrica chegando no mesmo endereço que eu ao mesmo tempo, ou até antes.
Isso tudo é a cidade mudando o próprio jeito de se mover, na prática, na rua, todo santo dia. E quem tá na rua trabalhando, como eu, vê isso de camarote antes de virar notícia ou dado de pesquisa.